Chegou como a brisa suave que tocava meu rosto.
E num compasso ao passo que o via,
encheu de ternura meu coração.
Aguçou de forma carinhosa os sentidos, aflorando
uma sensibilidade que até então não fora despertada.
Os teus olhos, não vi; porém senti a meiguice que
se ocultava por detrás de lentes espelhadas
que refletiam a imensidão do mar.
Quão feliz senti-me!
Estava a admirar a infinita beleza das águas, quando
por mistério apareceu-me em figura singela e bela.
Vi a beleza juvenil que escondida na matéria carnal
aflorava, fazendo com que brotasse gradativamente
junto à brisa que lhe abria mais os poros.
Senti o perfume do seu âmago, pois o mesmo inebriou-me.
Estavas arrebatando-me dos meus perdidos pensamentos;
e ao tocar as minhas mãos frias, desprendeu-se de mim
uma sensação que galhardamente fez gelar as emoções contidas.
Fostes como uma rosa roubada que o vento arrastou
para ir de encontro às minhas mãos vazias...
Acolhi-a com carinho e nem mesmo naquele momento
Senti a tenuidade de suas pétalas que acariciavam meus
lábios dando-me o sabor de um beijo que há muito não recebia.
Gostaria de plantá-la em meu jardim e regá-la para que
perpetuasse a beleza, o perfume e o mais intrínseco
sentimento que magnanimamente enfeitasse e suprisse
a certeza de que a teria somente para mim.

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