quarta-feira, janeiro 02, 2013

Um poema para você




Chegou como a brisa suave que tocava meu rosto.

E num compasso ao passo que o via,

encheu de ternura meu coração.

Aguçou de forma carinhosa os sentidos, aflorando

uma sensibilidade que até então não fora despertada.

Os teus olhos, não vi; porém senti a meiguice que

se ocultava por detrás de lentes espelhadas

que refletiam a imensidão do mar.

Quão feliz senti-me!

Estava a admirar a infinita beleza das águas, quando

por mistério apareceu-me em figura singela e bela.

Vi a beleza juvenil que escondida na matéria carnal

aflorava, fazendo com que brotasse gradativamente

junto à brisa que lhe abria mais os poros.

Senti o perfume do seu âmago, pois o mesmo inebriou-me.

Estavas arrebatando-me dos meus perdidos pensamentos;

e ao tocar as minhas mãos frias, desprendeu-se de mim

uma sensação que galhardamente fez gelar as emoções contidas.

E, aos poucos, foi invadindo-me e penetrou em meu ser.

Fostes como uma rosa roubada que o vento arrastou

para ir de encontro às minhas mãos vazias...

Acolhi-a com carinho e nem mesmo naquele momento

senti que poderias ter espinhos.

Senti a tenuidade de suas pétalas que acariciavam meus

lábios dando-me o sabor de um beijo que há muito não recebia.

Gostaria de plantá-la em meu jardim e regá-la para que

perpetuasse a beleza, o perfume e o mais intrínseco

sentimento que magnanimamente enfeitasse e suprisse

a certeza de que a teria somente para mim.

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