
Almas vazias.
Barcos abandonados.
Corações calados.
Onde o humano se perdeu?
As ruas estão cheias de rostos iguais.
Tudo parece ermo e vago.
Tênue e longe.
Todos caminham como se sentissem sono.
Carregam uma alheia mágoa.
Inclinam-se a haste da tristeza.
Arrastam correntes enferrujadas.
Do meu lado a eterna angústia da revolta.
Às vezes não me entendo comigo.
Tivesse eu a dosagem certa,
do remédio que curaria todas as dores.
Mas, sou poeta que admira o vento.
O dobrado das folhas douradas do trigo.
As cicatrizes dos antigos arvoredos.
As libélulas soltas nas superfícies dos lagos.
As crianças que ainda brincam descalças.
Os velhos que contam as mesmas histórias.
A chuva que beija a terra tranquila.
O sol que é comum e bom, todos os dias.
E nessa minha poesia, regada do simples,
meus olhos enxergam a grandeza de tudo
nesses pequenos acontecimentos de vida.
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